Belém amanheceu ontem, dia 29, em completo estado de perplexidade com a triste notícia da morte do jovem Lucas Luiz da Silva, que barbaramente foi mais uma das inúmeras vítimas de assalto que vem acontecendo, sendo que desta vez aconteceu o pior, ele foi covardemente assassinado por meliantes  que vem aterrorizando a população. Na verdade eles estão mandando na cidade e na zona rural do município.

O jovem é filho do casal Socorro e Luiz, antigos moradores da fazenda Canta Galo, de Ronaldo Lustosa, e trata-se de pessoas descentes que hoje residem na Associação Francisco de Assis, localizada na estrada da beira-rio, saída de Belém para o distrito Ibo, bem próximo do local conhecido Riacho de Baixo.

Embora seus pais residam no referido assentamento, Lucas, mesmo jovem e sem oportunidade na terra, partiu para a cidade de Cabrobó em busca de emprego e lá passou a trabalhar numa cerâmica, mas mesmo assim sempre vinha a Belém para visitar seus familiares e sua própria esposa, que também reside na zona rural.

Desta feita no entanto, em sua última viagem, o jovem veio pegar sua esposa, que está grávida e sentiu-se mal para ser atendida no hospital municipal, após isto, no trajeto para a casa da sua mãe, onde iria dormir, foi abordado no alto que divide a fazenda Curralinho, área do perímetro urbano de Belém, por diversos assaltantes que ao tentar tomar o que ele trazia, no caso um celular, um destes elementos disparou um tiro que acertou em cheio o peito do jovem. No momento da abordagem Lucas seguia com sua esposa e uma parente desta em uma moto, que diante do acontecido, aterrorizadas correram para as casas que ficam na entrada da cidade, coisa de 500 metros e lá avisaram do acontecido aos moradores que logo se dirigiram para o local

REVOLTA

O fato consternou e revoltou a sociedade, que logo cedo já fazia com que o fato fosse bastante repercutido nas redes sociais, com muitas críticas aos políticos, a polícia, a justiça e ao governo do Estado, e nas mensagens, muita indignação com a violência que todos sabem que campeia no município, e não se faz nada para contê-la.

As queixas da população de Belém tem razão e não são de hoje, nem é de ontem que os marginais vêm deixando as pessoas atormentadas, apavorada, perplexa e com receio de sair de casa até durante o dia, pois os assaltos são comuns, principalmente nas quintas-feiras, sextas-feiras e sábados, e não tem hora, nem lugar, mas há muitos deles que acontecem em locais já conhecidos do povo, como é o caso do primeiro alto da saída da Barra do Tarrachil em direção a Belém, no primeiro alto que segue para a Canabrava, na curva de Riacho Pequeno e no alto que divide a fazenda Curralinho, local onde aconteceu o fato de agora. A cada dia, as histórias sobre dois, três assaltos se multiplicam, deles inclusive usando cavalos e até pequenas embarcações.

ROTINA

A situação é tão grave que dias destes uma moto foi tomada de assalto quase defronte ao Fórum, e isto em plena luz do dia. Também dias atrás, dois homens armados assaltaram um restaurante que fica a poucos metros da Companhia de Polícia e da cadeia pública, mas os fatos não restringem apenas a cidade. Na zona rural estar impossível viver, são os roubos e furtos são constantes, são bombas de irrigação que são levadas e até os criadores estão se esquivando de criar bodes ou ovelhas pois os meliantes chegam com violência e levam tudo. No meio do lago de Itaparica as notícias dão conta de uma canoa com homens que fortemente armados invadem propriedades e carregam tudo que foi adquirido com suor e sacrifícios pelas pessoas. Até a travessia nas balsas virou um inferno, e o pior é que não encontram nada com a vítima, espanca, humilha, matam, atiram, e isto as vezes até nos carros. Recentemente por exemplo, a poucos dias, um cidadão da Bahia foi baleado mas conseguiu sobreviver, um micro ônibus que faz diariamente a linha Rodelas\Belém só não parece com uma tábua de pirulitos de tantos tiros que já levou porque seu proprietário manda concertar

UM INFERNO

Belém virou um inferno, pois além das queixas comum de cada dia, as ruas encontram-se em completo estado de escuridão e isto colabora muito com os criminosos. A cidade, que já falta quase tudo, a situação do presente se complementa pois falta até de paz e sossego para poder viver.

COMÉRCIO SOFRE

Os prejuízos econômicos ante tais acontecimentos são incalculáveis e a cidade vai afundando cada vez mais. São muitos os consumidores que deixam de vir comprar no comércio local ante o estado de medo que vivem, são muitos os estudantes das cidades vizinhas, principalmente da Bahia, que mesmo passando nos vestibulares de nossas faculdades, deixam de estudar aqui para seguirem para Paulo Afonso, e isto também ante o medo de chegar e de ficar na cidade. Para estes, Paulo Afonso mesmo sendo distante seis, sete, ou mais vezes, pelo menos sabem que pode ir e voltar com mais tranquilidade. Por aqui, reina a insegurança.

ACUADOS

O mais grave nisto tudo é que estamos inertes, acuados, sem ações, a espera do governo, de um aparato policial maior e de uma justiça faça algo, mas que não acontece e não vai acontecer.

PARA RESOLVER

É preciso que cada uma faça a sua parte. No início do ano sugeri a um Juiz que aqui não mais se encontra, que colocasse a polícia como fiel depositário dos veículos que estão apreendidos na área externa da delegacia e no pátio interno do fórum e assim possam os policias circularem em veículos descaracterizados, mas este respondeu que o Tribunal de Justiça não permite. Ora, ao que sabemos ao Tribunal de Justiça cabe a tarefa de ser fiel aplicador das leis e a lei fala claramente na figura do Fiel Depositário.

Ainda assim, o magistrado sugeriu que convidasse o Secretário de Segurança para vir a Belém discutir a questão. Ora, secretário não anda de bobeira por ai, todos sabem, eles tem conhecimento do que deve ser feito, mas sem dinheiro não tem como fazer.

Belém não precisa de ninguém, se não dos filhos da terra para resolver as questões referentes a sua segurança. Somos um lugar pequeno e todos se conhecemo. O que precisamos fazer, é colocar três ou quatro carros dos que estão ai, se acabando ao relento, no sol e na chuva nas mãos da polícia para que essa possa circular sem serem identificadas, cabendo a sociedade, a prefeitura, a câmara de vereadores, aos comerciantes, as faculdades e finalmente a todos, a sua parte no sentido de contribuir com o combustível necessário aos deslocamentos e assim possa eles, mais dias, menos dias se esbarrar com estes elementos. Se não for assim jamais vão localizá-los. A polícia não consegue adivinhar e os marginais tem a caatinga para se embrearem após os crime que cometem.

Outra boa ideia, é nos cotizar no sentido de adquirir uma certa importância em dinheiro com o fim recompensar, desde preservando o anonimato, aqueles que possam fornecer detalhes que que levem ao esclarecimento tanto do latrocínio perpetrado contra Lucas, como de outros crimes que precisam serem esclarecidos.

Afora isto, é necessário que a polícia também faça faça a sua parte, que apague as intermitentes das viaturas, pois como diz o povo aquilo só serve para afugentar os meliantes. Se é assim, como vão encontrar os fora da lei?

Do mesmo modo, que a justiça também faça a sua parte, aplicando como imperativo de justiça aquilo que a lei garante, mas esta discussão tem que ser travada com os representantes da comunidade, do ministério público e das polícias civil e militar. Sem esta parceria, sinceramente não vamos a lugar nenhum, ao contrário, vão piorar cada vez mais.

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