Por Tatiana Maia Lins, para o Blog do Jamildo.

Consultora em Reputação Corporativa, fundadora da Makemake Comunicação e editora da Revista da Reputação

Sem título

Veio de Pernambuco o voto favorável de número 342, que selou o prosseguimento do processo de Impeachment da presidente Dilma ao Senado, no último domingo, dia 17 de abril. Enquanto muitos comemoravam com o “tchau, querida”, eu que nunca votei em Dilma, mas que me preocupo com a imagem do Brasil, me perguntei se realmente havia o que comemorar.

Que imagem o Brasil passou para o mundo no último domingo? Qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento sobre a nossa situação e algum senso crítico conclui que a ideia passada foi a de que somos uma sociedade do deboche. Um país onde corruptos bradam contra a corrupção em cadeia nacional; onde Deus e o nome de um torturador foram usados na mesma frase como se fossem quase sinônimos; onde acordos valiosos são rasgados da noite para o dia; onde votos para um assunto sério como o Impeachment de uma presidente eleita democraticamente foram dedicados aos aniversários dos netos, aos amigos e familiares – como no programa de televisão da minha infância em que as crianças sempre mandavam beijos para a mamãe, para o papai e para a apresentadora. Ah, sim, há mais um atributo de valor que não podemos esquecer, reforçamos ao mundo também que aqui tudo acaba em festa, ainda que o ingrediente-chave desta festa seja uma alegria raivosa.

Uma análise de discurso mais profunda e menos imparcial do que a apresentada pelo Jornal Nacional no dia 18 sobre a cobertura internacional mostra que viramos piada mais uma vez. E expusemos ao mundo as nossas mazelas mais profundas. A maioria das matérias alerta sobre os escândalos envolvendo Temer e Cunha, sobre o risco de atrelar religião a políticas públicas e deixam a dúvida no ar se o processo de punição aos envolvidos em corrupção será levado adiante. Não, a situação não está tranquila nem favorável.

Se o Impeachment de Dilma entrará para a História como a salvação do Brasil ou como um golpe travestido de legalidade ainda não sabemos. Só o tempo dirá. Mas é certo que precisamos, como brasileiros, de muito mais compostura e seriedade para nos posicionarmos mundialmente como uma potência que mereça ser levada a sério.

O IMPEACHMENT AOS OLHOS DE VÁRIAS AUTORIDADES BRASILEIRAS:

Quando, o jornal exibia que o PMDB desembarcou do governo e mostrava as pessoas que erguiam as mãos, eu olhei e pensei: meu Deus do céu! Essa é a nossa alternativa de poder. Eu não vou fulanizar, mas quem viu a foto sabe do que estou falando.”

As palavras são do ministro Luiz Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal. “Quem viu a foto na “Primeira Página” da Folha sabe do que ele estava falando. Dos cinco políticos do PMDB que comemoravam o rompimento com o governo e gritavam “Temer presidente”, três são investigados na Lava Jato, sob suspeita de embolsar propina do petróleo”.

O deputado Eduardo Cunha, já é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Os senadores Romero Jucá e Valdir Raupp são alvos de inquéritos que podem virar ações penais. Os três defendem o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O ministro Barroso não foi o único a se assustar com a foto. A imagem lembrou a muita gente contrária ao governo que só existe uma alternativa de poder em caso de impeachment. Se Dilma for derrubada, quem assume é o vice-presidente Michel Temer. O PMDB, que foi sócio dos governos petistas desde 2004, passará a mandar sem intermediários. Se Temer, ou viajar, adoecer, que vai assumir a presidência da república, é justamente, Eduardo Cunha. A que ponto podemos chegar.

Alguns peemedebistas já admitem que o ato público de rompimento não foi uma boa ideia. A foto alertou a praça de que a ascensão de Temer interessa a muitos investigados da Lava Jato. Para eles, o vice traz a esperança de um acordão que freie as investigações.

Esta é a foto que assusta. Nela estão: Eduardo Cunha, que já é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro e os senadores, Romero Jucá e Valdir Raupp, que são alvos de inquéritos que podem virar ações penais. Quem acredita que Michel Temer, como presidente e Eduardo Cunha, como vice, não vão interferir para evitar apuros a si e a seus amigos?

Esta é a foto que assusta. Nela estão: Eduardo Cunha, que já é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro e os senadores, Romero Jucá e Valdir Raupp, que são alvos de inquéritos que podem virar ações penais. Quem acredita que Michel Temer, como presidente e Eduardo Cunha, como vice, não vão interferir para evitar apuros a si e a seus amigos?

Outro que embora não esteja na foto, mas que é dos que luta insistentemente pela derrubada de Dilma, é Líder do DEM, deputado Pauderney Avelino, que recentemente foi condenado a devolver aos cofres públicos a importância R$ 4,6 milhões. Uma baita quantia.

Pauderney Avelino, foi condenado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) a devolver R$ 4,6 milhões aos cofres públicos do Amazonas e multado em R$ 23 mil. A acusação é de que Pauderney, no período em que era secretário da Educação de Manaus, teria superfaturado contratos de imóveis alugados pela prefeitura para a instalação de escolas.

Ao se explicar, Pauderney, disse que foi pego de “surpresa” com a determinação, que classificou como “esdrúxula”. Ele também responsabilizou o PT, afirmando que a condenação é consequência de um “ataque” da legenda contra ele. Significa dizer, que quando é Dilma, o que dizem é verdade, quando não é, no caso do deputado é mentira. Sinceramente.

Sem título

Quem também criticou a medida, foi ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, que afirmou que o processo de impeachment, mesmo previsto na Constituição, pode ser “traumático” e só deve ser usado com “precisão quase científica“.

Barbosa, fez críticas às justificativas dos deputados que votaram o processo na Câmara, no último domingo (17), “Impeachment é uma formidável ferramenta contra majoritária. É inerente ao próprio sistema presidencial de governo. É previsto na nossa Constituição, em uma lei federal e em normas regimentais da Câmara e do Senado“, escreveu o ex-ministro.

 “Mas o que pouca gente sabe, e os que sabem fingem não saber, é o seguinte: Impeachment é uma bomba! É um mecanismo legítimo, mas traumático; necessário, mas deve ser usado com precisão quase científica. Regenerador em alguns casos, mas em outros pode se revelar destrutivo, convulsivo, provocador de “rachas” duradouros na sociedade“, opinou Barbosa.

Segundo Barbosa, o impeachment foi criado em uma sociedade de outra época, “em que ainda predominavam as ‘guerras das facções“. “Foi concebido por pessoas que criavam normas para o presente, mas pensando na sua aplicabilidade no futuro, algumas gerações à frente“, disse Barbosa, citando James Madison e Alexander Hamilton, duas figuras marcantes na elaboração da Constituição dos Estados Unidos após a independência do Reino Unido, em 1776.

Se a presidente Dilma Rousseff sofrer impeachment com base nas chamadas “pedaladas” fiscais, pelo menos 16 governadores também deveriam ser afastados pelo mesmo problema”, disse o ex-desembargador, Francisco de Queiroz Bezerra Cavalcanti, hoje professor titular de Direito na Universidade Federal de Pernambuco.

Cavalcanti é um dos juristas convidados a discursar no “Encontro de Juristas pela Legalidade e em Defesa da Democracia”, realizado no Palácio no Planalto. O evento foi organizado como espécie de contra-ataque ao que os governistas entendem como atropelos da Justiça, especialmente do juiz federal Sérgio Moro.

Segundo Cavalcanti, os atrasos nos repasses do Tesouro a bancos públicos, práticas popularizada como “pedalada”, não são suficientes para o impedimento da presidente. “Se nós entendemos que é suficiente, temos que afastar pelo menos 16 governadores”, disse ele, sob calorosos aplausos da plateia presente na solenidade.

O jurista também criticou o “timing” de Moro na abertura do sigilo dos grampos feitos no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, o juiz responsável pela Lava-Jato tirou o sigilo das escutas no mesmo instante em que soube que Lula tinha sido nomeado ministro e que, por isso, não poderia ser investigado em Curitiba.

O IMPEACHMENT AOS OLHOS DO MUNDO:

A imprensa europeia destacou na segunda feira passada (18/04) a derrota sofrida pela presidente Dilma Rousseff, com especial atenção para o comportamento dos deputados federais no plenário, a quem tratou como sendo a “Insurreição de hipócritas”.

Numa análise assinada pelo correspondente Jens Glusing e intitulada “A insurreição dos hipócritas”, o site da revista Der Spiegel, afirma que o Congresso brasileiro mostrou sua “verdadeira cara” e, com o uso de meios “constitucionalmente questionáveis”, colocou o “avariado navio Brasil” numa “robusta rota de direita”.

A maior parte dos deputados evocou Deus e a família na hora de dar o seu voto. Jair Bolsonaro até mesmo defendeu, com palavras ardentes, um dos piores torturadores da ditadura militar”, escreve o jornalista, que lembra que tanto o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, como o vice-presidente Michel Temer são alvos de investigação por corrupção.

O site do seminário alemão Die Zeit afirma que a votação na Câmara “mais parecia um carnaval” e que uma pessoa desavisada que visse a sessão não poderia ter a gravidade da situação. “Nesse dia decisivo para o destino político da sétima maior economia do mundo, o que se viu foram horas de deputados aos berros, que se abraçavam, tiravam selfies e entoavam canções”, relata o correspondente Thomas Fischermann.

Nos discursos dos representantes do povo havia tudo o que se possa imaginar: lembranças aos netos, xingamentos contra a educação sexual nas escolas, paz em Jerusalém, elogio a um torturador do antigo governo militar, o jubileu de uma cidade e assim por diante”, afirma o jornal.

Já o diário alemão Suddeutsche Zeitung, destaca que “inúmeros parlamentares que impulsionaram o impeachment de Dilma são, eles próprios, alvos de processos por corrupção”. O correspondente Benedikt Peters lembra que o processo contra Rousseff é controverso, e que o processo contra ela é considerado político. “Contra Dilma nenhum ato de corrupção foi provado.”

Segundo o jornal britânico The Guardian, um congresso “hostil e manchado pela corrupção” votou pelo impedimento da presidente. “Uma derrota esmagadora”, afirma o jornal, que também destaca a votação no plenário. “O ponto mais baixo foi quando Jair Bolsonaro, o deputado de extrema direita do Rio de Janeiro, dedicou seu voto a Carlos Brilhante Ustra, o coronel que comandou a tortura do DOI-Codi durante a era ditatorial”, e levou “uma cusparada do deputado de esquerda Jean Wyllys”.

Para o jornal, é “improvável” que Temer também perca suas funções se for provado que ele praticou as chamadas “pedaladas fiscais”, já que tem “forte apoio” da maioria dos deputados.

O jornal espanhol El País diz que a aprovação do impeachment era mais do que esperada e que Dilma “está a um passo” de ser tirada do poder”. “Dilma Rousseff recebeu um empurrão, talvez definitivo, para sair da presidência do Brasil pela porta de trás da história”, diz o artigo. “Uma derrota completa para o governo e Rousseff.”

O El País, diz que a votação na Câmara foi marcada por tumulto e “cânticos um tanto ridículos às vezes” e destaca que a condução de Cunha, acusado de manter contas milionárias na Suíça com dinheiro da Petrobras, é “um sintoma da estrutura moral de boa parte do Congresso brasileiro”.

De acordo com o jornal espanhol, o “capital político” da presidente “será completamente diluído” com o voto favorável do Senado, “coisa que agora parece muito provável”, e o posterior afastamento dela do cargo por 180 dias, como prevê o rito do impeachment.

O francês Le Monde destaca a “descida ao inferno de Dilma Rousseff”, dizendo que até as últimas horas “ela acreditou” no voto dos 54 milhões de brasileiros que a elegeram em 2014. O jornal diz que o marketing do governo sobre a prática de “golpe” contra a presidente não teve sucesso, apesar de boa parte dos deputados favoráveis ao impeachment também serem acusados de corrupção.

Por último, para revista americana, “A The Economist”, a culpa pela situação não é apenas de Dilma, mas de toda a classe política brasileira. “O fracasso não foi feito apenas pela senhora Rousseff. Toda a classe política tem levado o País para baixo através de uma combinação de negligência e corrupção. Os líderes do Brasil não ganharão o respeito de volta de seus cidadãos ou superarão os problemas econômicos a não ser que haja uma limpeza completa“, diz o texto do editorial.

O IMPEACHMENT AOS OLHOS DE TADEU SÁ:

Para começar, digo que o impeachment não é golpe, já que trata-se de matéria regulada pela lei brasileira e quando necessário deve ser aplicado. Por outro lado entendo, que não havendo crime aos olhos da justiça, aí sim, a aplicação do instituto será um golpe fatal na frágil democracia brasileiro.

Também entendo que de dias passados para cá, a presidenta Dilma, abatida pelas denúncias de corrupção que se alastrou no seu governo, enfrenta uma oposição raivosa e sistemática, bem como a conivência de um imprensa parcial, de tal forma a deixar sua governança insustentável, e sendo assim, não tem ela como se manter à frente do país, principalmente em vista da crise que é séria, ninguém sabe onde vai chegar e que em pouco tempo ninguém será capaz de debelar.

Entendo portanto que o afastamento dela é necessário, agora deixar no comando da pátria aqueles como o próprio Temer, que faz parte de um governo que alegam ser corrupto, e na linha sucessória, o presidente do Congresso Nacional, deputado Eduardo Cunha, é um absurdo sem proporções. Estou então na linha que defende que Dilma deve sair sim, mas que também devem ser afastados, tanto o vice-presidente, Michel Temer, como o deputado Eduardo Cunha.

E qual seria então o caminho? A presidenta Dilma, deveria ter a humildade de convocar o Congresso Nacional e propor ao país eleições gerais já, unificando a partir daí as eleições em todo Brasil. Não dá mais para continuar como estar. A maioria esmagadora do povo brasileiro não acredita em nenhum dos que estão ai, naqueles que estão na linha de frente dos problemas brasileiros. Economia devastada e clima político insustentável.

Agora é preciso que se diga uma coisa, o ex-presidente Lula e sua sucessora, a presidente Dilma, abriram para o justiça brasileira o direito de investigar com profundidade e de punir indistintamente, inclusive os ricos e poderosos, isto ninguém pode discordar. Também pode ser dito, que acaso Temer assuma a presidência, tanto ele como seus achacadores irão sabotar esta conquista que hoje é de suma importância para a nação e para o cidadão brasileiro de bem. Acreditar que os achacadores serão punidos estando na frente da nação, nem pensar. A primeira coisa que tem que ser feita acaso Temer chegue ao governo, é a mudança nos mistérios, diretorias, secretarias e neste caso chega-se ao comando da Policia Federal, que hoje graças a Lula e Dilma, exerce o seu papel importante e de total independência, um papel que orgulha quem é de bem.

Com toda sinceridade, também posso afirmar que a pátria brasileira alcançou importantes conquistas durante o governo petista, em especial o nordeste, o estado de Pernambuco e a região. Agora é preciso que se diga também, que o PT ao chegar ao governo, encontrou como fruto de uma quadrilha oriunda do PSDB, do PFL, PMDB, DEMOCRATAS, e tantos outros partidos especialistas em assaltar a nação, e ao invés de apurar e punir os responsáveis com todo rigor, dando exemplo a nação, aprimorou o roubo e o pais continuou sendo assaltado de forma vergonhosa. Também compreendo que tudo que acontece no país, igualmente acontece em quase todos os municípios brasileiros, mas poucos prefeitos e vereadores conseguem irem para a cadeia. É escancarada a irresponsabilidade e o roubo que acontece em muitas e muitas prefeituras do Brasil afora. Uma verdadeira praga.

Também entendo que o PT, como com quem ele procede, deve pagar pelo que fez, e o afastamento de Dilma e Temer é uma necessidade imperiosa. A pátria exige isto e o caminho mais sensato e correto seria o da justiça eleitoral em vista do uso escandaloso de recursos púbico em suas campanhas. Este seria o caminho para restabelecer a ordem, mas que antes, teria que mandar Cunha para a cadeia.

O PT deve ser penalizado sim e muito bem penalizado, pois ao chegar no cargo de presidente, abdicou do seu discurso, do seu ideal, e ao invés de fortalecer seus militantes políticos, fomentando um nova geração de homens decentes, deixou tudo de lado e a passou a ter como companhia, Temer, Renan Calheiros, Sarney, Delfim Neto, Edson Lobão, Eduardo Cunha, Jader Barbalho, Severino Cavalcante e tantos outros elementos nocivos a pátria. O povo não entende como se pode combater o mal, se juntado ao mal.

O PT tem sim que pagar pelo que fez, principalmente quando deixou de promover as rupturas que o país necessitava. Os banqueiros foram por demais agraciados, as faculdades particulares implantadas no Brasil, as emissoras de rádio e televisão, as obras importantes continuaram nas mãos daqueles que não tem compromisso com a nação. A Rede Globo de Televisão, fomentadora do impeachment de Fernando Color de Melo, permaneceu intocável, o que acontecia a contra gosto dos ideais de Leonel Brizola. Hoje a Globo estar ai, quase que 24 horas por dia para a falar do impeachment e a anunciar ao mundo os escândalos do PT de cada dia, mas que pouco fala sobre os escândalos que acontece no governo paulistano.

Às vezes é preciso apanhar para aprender. O PT tem que aprender a gerir a coisa pública com responsabilidade, a escolher melhor suas companhias, e a entender de uma vez por toda que é um partido do trabalhar brasileiro, e não das elites. O PT tem que aprender a se alinhar com partidos ideologicamente mais próximo, e não com PFL, PDS, PMDB, PP, PSDB, PR, PSD e tantos outros. Isto é o que acontece no Brasil e em Belém também. Estes partidos aniquilaram Dilma e o PT, mas infelizmente o PT não quer aprender. Esperem as eleições e todos vão ver caçados e caçadores bem juntos, num mesmo palanque. Vergonha é coisa para poucos.

Categoria: Sem categoria

Desenvolvido por