Depois de quarenta anos, família Lustosa perde comando da Autarquia Belemita de Cultura, Desportos e Educação. Sai Maria Olindina Lustosa e entra a florestana Ana Gleide Leal.

Depois de quarenta anos, família Lustosa perde comando da Autarquia Belemita de Cultura, Desportos e Educação. Sai Maria Olindina Lustosa e entra a florestana Ana Gleide Leal.

O que era para acontecer a cada quatro anos de forma natural e democrática, com sucessivos novos presidentes e consequentemente nova mentalidade e renovação política, somente agora, depois de 40 anos, chega ao fim o longo reinado da família Lustosa à frente Autarquia Belemita de Cultura, Desportos e Educação, instituição que mantem o Cesvasf, mas eis que com o fato, que foi de estrema necessidade e importância, um detalhe chama atenção, tudo foi gerido com o fim de colocar no cargo uma professora que embora seja da instituição nada tem a ver com a terra, não possui nenhum vinculo com a comunidade, sequer reside na cidade e com isso Floresta, que já ocupa relevantes cargos públicos no Estado de Pernambuco passa agora a contar com outro de suma importância para os belemitas e região, o de presidente da Autarquia Belemita de Cultura, Desportos e Educação. Antes, porém o município já vem sendo generoso demais com Floresta, alguns dos nossos políticos levaram o povo a eleger com expressivas votações os deputados daquela cidade, deles majoritário, e que por isso Floresta cresce e penhoradamente agradece, permitindo que nossos filhos, ante a precariedade da nossa saúde, sem médicos cirurgiões e anestesistas, nasçam por lá. São os chamados “floresmitas”, um misto de florestanos com belemitas. Há alguns anos atrás isto era praticamente impossível de acontecer.

A eleita trata-se de Ana Gleide de Souza Leal, que como professora adentou no Cesvasf cerca de doze anos atrás. Ana é de família política, trata-se de aliada e correligionária do deputado estadual Augusto Cesar, que é opositor do governador Paulo Câmara, mas é o mesmo do prefeito Gustavo Caribé, e dois meses antes foi eleita vice-diretora da instituição na chapa encabeçada pelo professor belemita, Valmir Pires Campos.

MANOBRA:

Com a escolha de Valmir para diretor, deveria a instituição promover de forma imediata, já no dia 1º de julho, a escolha do novo Presidente da Autarquia, mas isto não aconteceu, o processo de escolha foi sendo empurrado com a barriga e a insatisfação, o modo de administrar sem transparência, a perpetuação no cargo por parte da família Lustosa, contas rejeitadas pelo TCE, o fraco desempenho administrativo a ponto de realizar dois vestibulares num mesmo período, salários congelados há mais de cinco anos, rombo com a Previdência Social, dívidas, e talvez quem sabe as conversas de ruas que dão conta de uma provável união politica entre os primos, Licínio Lustosa e João Licínio, pode ter sido a causa da decisão de se pôr fim ao mandonismo da família Lustosa à frente da Autarquia. Durante 40 anos, apenas quatro presidentes.

A ideia de eleger Ana Gleide e consequentemente afastar os familiares do ex-prefeito João Licínio da autarquia foi tramada nos bastidores da política local, já que a eleita contou com o forte apoio do grupo do prefeito Gustavo Caribé, sendo que em consequência da posse de Valmir Pires e dela própria para vice-diretora, modificou-se mais da metade das pessoas que faziam parte do Condefi – Conselho Deliberativo Fiscal, que no caso elege o presidente da Autarquia, fazendo inclui nele pessoas ligadas ao grupo do prefeito Gustavo Caribé, como é o caso da vereadora Aurora Guedes (aliada política de Gustavo), Luciana Roriz (esposa de um primo de Gustavo) como representantes da prefeitura, Jurandir Lopes (irmão da ex-secretária de educação no governo Manoel Caribé, senhora Marinalva Rodrigues), José Arruda Ferreira (cunhado de Gustavo), Adriano Sobral (professor florestano), João Luiz (professor florestano), Andersom Mendonça (professor recifense) como representantes dos cursos. Os demais membros permaneceram, Vandinho Marcula, (aliado do prefeito) representando a Câmara de Vereadores, Meire Torres (prima de Gustavo), também como representante de curso, bem como a professora Andréa Madeiro, na condição de representante da Autarquia.

IMPOSSÍVEL PERMANECER:

Oficializado os nomes dos dez felizardos eleitores, aniquilou-se de forma crucial as pretensões da então presidente, Maria Olindina Lustosa de Carvalho, que mesmo buscando articular uma chapa com os nomes dos professores, Junior Martins e João Licínio, vice, ou mesmo o nome do professor Valmir Pires, viu a então presidente suas chances de vitória reduzir significativamente e ante a fragilidade do seu grupo, os “caribezistas” apresentaram a chapa, Ana Gleide, presidente e Jurandir Lopes, vice-presidente, e como não mais havia o que fazer, todos, inclusive os eleitores da corrente Lustosa resolveram votar na chapa apresentada, que sem corrente, obteve a unanimidade dos votos e com isso Belém curvou-se mais uma vez a Floresta. Quem sabe não deixe de ser “Belém de Cabrobó, para ser Belém de Floresta”

JOGADA DE MESTRE:

Acontece que se a eleição da nova presidenta teve como causa a conjuntura politica que se comenta, ou seja, a possível união entre João e Licínio, com uma cajadada Gustavo Caribé atinge muita gente, pois de uma só vez afasta a forte influência da família Lustosa na instituição, coloca no cargo uma adversária politica da prefeita Rorró Maniçoba e do deputado estadual, Rodrigo Novaes, já que a ungida é aliada da família Ferraz, adversária, portanto dos dois políticos, inclusive possui uma filha, Bia Numeriano, como vereadora com assento na câmara municipal de Floresta e pela mesma via, afasta para bem distante a influência do professor Licínio junto a autarquia.

MUDANÇAS:

Seja como for, a decisão certamente importará em profundas mudanças. A família da gestora que sai, apenas a dela e ai leia-se a própria, duas irmãs, um irmão, seu primo legítimo Licínio Lustosa, a esposa deste e outros quatro primos recebem mensalmente dos cofres da instituição algo em torno de trinta mil reais, e mais, quando um da família se afasta, ou se aposenta, outro parente já se encontra engatilhado para assumir o posto.

O mesmo pode ser dito quanto ao futuro daqueles que recebem seus salários, mas que não aparecem na faculdade, ou aparecem muito pouco, além do que representa o cargo quanto aos serviços que são contratados pela instituição, máquinas copiadoras, material escolar necessário ao funcionamento, ônibus locados para o transporte dos alunos, bem como um prédio que o Cesvasf construiu no interior da Sociedade Filhos e Amigos da Instrução do Jatinã, local onde funciona a Facesf, mas que apenas uma sala é utilizada por ela, as demais atendem a Faculdade de Direito e em troca apenas uma eventual utilização do auditório desta última por parte da primeira, ou seja, em termos de valores de locação um prédio de primeiro andar, com várias salas, no centro da cidade, vale muito menos do que o aluguel para utilização esporádica do auditório. É quase certo que esta e outras situações deverão mudar.

No que tange ao comportamento da família Lustosa, por certo advirá mudança de comportamento político, muita disposição para fazer oposição, já que o prefeito Gustavo administra num mar rosa, sob o silencio mais incomum dos seus opositores. Se haverá razões para isto, diante do que fizeram, aí é outra questão, pois ainda, há por traz de tudo isto a isenção de impostos que o governo Gustavo Caribé faz a faculdade de Direito.

DISSE QUE DISSE:

Pois bem, embora a eleição tenha acontecido no sábado passado, dia 29 e a posse tenha sido no dia 01 de setembro, ou seja, mesmo estando tudo bem fresquinho, muita conversa já rola nos corredores da instituição, conversas tipo, “vai pegar uma bomba”, “fazer uma auditoria”, “como vai ficar os cargos”, “quem de Belém será o beneficiado”. Uma coisa é certa, em vista de desentendimentos anteriores o clima pode pesar, inclusive já tem funcionário requerendo licença. Deus queira que a partir daí não se instale um inferno astral na debilitada instituição.

Se assumir a instituição é uma bomba, só eles que ali mexem e que viveram juntos durante tanto tempo é que podem dizer. De fato, ninguém sabe como anda o Cesvasf, O prefeito Gustavo Caribé confiou cegamente  a sua administração a então presidente, Maria Olindina, mesmo sendo ela cunhada de Ronaldo Lustosa, maior desafeto político de Gustavo, e os mesmos problemas que a faculdade enfrentava não estancaram. De fato somente uma auditoria será capaz de desvendar o que acontece, mas tudo desde que seja feito as claras, com absoluta transparência, dando ciência do que acontece aos belemitas, pois de fato são estes os proprietários da autarquia e como tal merecem uma boa resposta.

FUTURO:

As conversas, no entanto não são boas e os comentários de ruas dão conta de que a sobrevivência do Cesvasf é questão de meses, ou mesmo alguns anos. Agora se a nova presidente não impuser transparência, se ela não enxugar os cursos deficitários que existem, se não inovar na busca de outros cursos, principalmente aqueles técnicos de menor duração e valor e a faculdade vier a fechar suas portas na sua presidência, muita conversa e disse me disse desabarão sobre sua cabeça, tudo mesmo, muitas culpas lhes serão atribuídas e olhe se os de hoje, os que lhes deram sustentação para chegar ao cargo, num momento crucial que possa eventualmente acontecer, especialmente na crise que vivenciamos, não lhes virem as costas. É no mínimo muito estranho que inúmeros belemitas, deles que se dizem competente e aliado do prefeito, numa cidade que como poucas possuem oito cursos superiores, deles como Direito e no próximo ano, Psicologia, não tenha um só cidadão capaz de gerir a entidade a ponto de terem que trazer uma professora de fora, ou que não tenha aparecido ninguém no grupo Caribé capaz de brigar pelo cargo. A instituição movimenta mais dois milhões de reais por ano.

Seja como for, ou o povo belemita é burro e incompetente, que não sabe administrar nada, inclusive a prefeitura que possui as mesmas mazelas enfrentadas pelo Cesvasf e neste caso deveriam então colocar um prefeito de fora, ou quem gestou a ousada escolha é que é incompetente. O belemita de brio não aceita ingerências estranhas sobre o que nosso, e isto somente acontece no Belém de hoje, no Belém que vive sem prumo e sem rumo.

Agora uma coisa é certa, o resultado foi definido e o processo eleitoral embora marcado por regras tipo Cuba de Fidel Castro, feito justamente com o fim de se perpetuarem no poder, deve ser respeitado e acatado, sem qualquer subterfúgio ou chantagem, cabendo doravante a todo cidadão belemita de bem, apoiar a nova presidenta e acima de tudo, ajudá-la a fazer uma administração profícua, de responsabilidade, de mudanças profundas, com muita ousadia, criatividade e transparência.

Escrito por Tadeu Sá.

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Um comentário até agora.

  1. Paulo Nogueira de Barros disse:

    Resumindo ! Tudo farinha do mesmo saco …

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