Atolado em diversos problemas e com falta de pagamento em dia aos fornecedores, atrasos nos pagamentos dos salários dos servidores efetivos, contratados e comissionados, levou o prefeito, Gustavo Caribé, a acordar para a realidade e com isso acaba de anunciar cortes nos gastos da prefeitura, medida que atinge seu próprio salário, os salários dos servidores com funções gratificadas e demissões de contratados.

Segundo o prefeito a medida visa por em ordem as finanças, o que dificilmente acontecerá já que a prefeitura financeiramente encontra-se bastante debilitada, tanto pelo parcelamento dos débitos da Previdência Social, como com aqueles provenientes da Celpe e tantos outros que existem. Ao anunciar o corte, Gustavo deixará de receber cerca de R$ 5 mil reais, pois como foi dito nos microfones do programa, seu salário embora sendo de R$ 12 mil reais, dele é descontado mensalmente, em vista de empréstimo consignado, algo em torno R$ 7 mil reais. Na ocasião o prefeito disse que por conta de não poder exercer a advocacia, já que é advogado, vai viver do projeto de ovinocultura que possui na fazenda Ilha Grande, deste município.

Os cortes por sua vez não atingem os secretários, que estão sem receberem há cerca de cinco ou seis meses, inclusive sua esposa, e sendo assim não há o que cortar. Se fosse o caso, seriamos secretários penalizados duas vezes, uma pela falta de pagamento do salário e outra pelo corte naquilo que não recebem.

Para anunciar a medida, o prefeito reuniu-se com os secretários e funcionários com funções gratificadas, na ocasião Gustavo igualmente anunciou que os contratos de diversas pessoas serão rescindidos, o que também não altera muita coisa já que todos também estão sem receber, deles inclusive com nove meses de atraso.

Os cortes da forma anunciados foram superficiais e acontecem de forma muito pontual, pois se de fato o prefeito pretende economizar deve ele verificar e trazer para a realidade os valores dos contratos celebrados para a limpeza pública, que, aliás, é precário e deficiente, verificar também o contrato referente às hospedagens dos doentes na capital do estado, os valores dos serviços de comunicação, redução drástica no uso de combustíveis limitando este ao essencial, acabar com as diárias, devolver aos órgãos de origem as pessoas que estão à disposição da prefeitura com ônus para esta, cortar os gastos com publicidade, além de chamar de volta aos seus locais de trabalho todos os funcionários que sem razão estão espalhados por diversos órgãos que nada tem a ver com a prefeitura. Igualmente deve o prefeito imediatamente cortar toda renuncia de receita existente, como é o caso da isenção do ISS que debilita profundamente os cofres do município, mas que de concreto nada traz para os munícipes.

Outro exemplo que talvez pudesse em parte ter ajudado a redimir Belém da crise, crise que é bastante complexa e diferenciada dos demais municípios da região, é o próprio exemplo que vem do prefeito quando disse que sem seu salário vai viver da ovinocultura.

Pois bem, se o prefeito tivesse compartilhado com os criadores do município a idéia que teve para si no que concerne a criação de ovelhas, ou bodes, muito outros criadores poderiam também estar vivenciando dias melhores, mas não, a secretaria de agricultura foi entregue ao abandando, funcionou mais em troca de apoio político, e hoje quem servia a ela está servindo a Floresta, município que somente através da COOPERCAPRI revende ao estado de Pernambuco para a merenda escolar algo em torno de 5 mil quilos ao mês de carnes de caprinos e ovinos, o que representa uma injeção anual na economia local de valores na ordem de R$ 8 milhões, importância que se distribuída entre dois mil criadores gera para cada um uma receita anual de 4 mil reais, mas não, se quer temos secretário de agricultura e tudo decorre segundo o prefeito “com o fim de economizar”, economia que não tem qualquer sentido, que não tem lógica  já que amarra o fortalecimento da agricultura e o crescimento do rebanho animal, atividades que deveriam servir como o ponto indutor do progresso, da geração de emprego e da renda.

Pelo visto então a crise não é de hoje e como tal não é culpa exclusiva do momento que passa a nação brasileira, mas sim do próprio governo Gustavo Caribé que não cuidou bem do município e de suas economias, pois ao longo do seu governo o que se mais viu foi o desperdício incomum de receitas, o excesso de contratados sem levar em consideração o concurso anterior,extrapolando assim o limite prudencial de 54% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para as despesas com a folha de pagamentos, e isto acontecendo mesmo com TCE recomendando a cada ano o seu efetivo controle.

Como resultado de tudo, o rombo, uma conta enorme para o povo pagar com mais sacrifícios, com mais dificuldades serem encontradas nos serviços públicos que precariamente são oferecidos e no final quem mais sofre são os que menos devem, no caso, a imensa população belemita que nada tem a ver com isto.

Escrito por Tadeu Sá.

Atolada em dívidas, prefeitura tenta respirar através de cortes promovidos pelo prefeito Gustavo Caribé. Isto acontece pela primeira vez com o município.

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